sexta-feira, 6 de junho de 2008

Pedofilia na Igreja.



E o coração do homem, já dizia a Bíblia, é enganoso e abafa os mais baixos sentimentos que se possa imaginar. Um deles se chama pedofilia. Mas por que falar de um tema desses em uma revista evangélica? Infelizmente, nos últimos meses, a polícia prendeu pastores acusados de abusar sexualmente de crianças em, pelo menos, quatro estados brasileiros. Para se proteger destas situações, prevenir continua sendo a melhor ação.
Certo dia, José (nome fictício) e sua família, moradores de Sinop, no Mato Grosso, decidiram freqüentar a igreja do pastor Pedro Rosa. Desfrutavam da presença de Deus e da segurança de ter na própria família um líder espiritual, já que José era concunhado de Pedro. Em janeiro deste ano, o pastor “tirou a pele de cordeiro” e foi preso por abusar sexualmente da própria filha e da sobrinha, de 8 e 6 anos, respectivamente. De intrépido pregador da Palavra, Rosa passou a ser mais um detento na ala de convertidos de uma penitenciária da cidade.
As denúncias contra o pastor foram formalizadas pelo Conselho Tutelar de Sinop, após sua filha ter comentado os abusos com uma colega de escola, que contou à mãe, que denunciou à polícia.


A mulher do pastor já tinha conhecimento de outros abusos cometidos pelo marido, mas omitiu-se por não acreditar nos relatos. Dentre estes, a de um jovem, hoje com 19 anos, que durante oito anos de sua vida foi abusado por Rosa. Ao denunciar à mulher, ela o chamou de mentiroso e disse que o rapaz estava sendo usado pelo diabo. O crime aconteceu quando ele ainda tinha seis anos.
E José? Ele conta que a notícia caiu como uma bomba. “Fiquei atordoado porque veio justamente de onde menos esperava. Além de ser meu pastor, era membro da minha família”, lembra. Na igreja houve um esvaziamento completo. Alguns migraram para outras denominações e muitos perderam a confiança na instituição. Houve ainda quem perdesse a fé. Embora reconheça a soberania de Deus, José afirma que nunca mais quer saber de igreja. Enquanto busca uma resposta para o drama pessoal, sua filha recebe acompanhamento psicológico da prefeitura de Sinop.
No mês de abril, o município de Franca, em São Paulo, conheceu a história do ex-pastor Alexandre Cardoso Guimarães, de 27 anos, preso por ter violentado uma menina de apenas 12 anos dentro do templo da igreja onde era líder. Mesmo não tendo consumado o ato, ela ficou grávida. Seu filho nasceu no final de março deste ano. Não menos chocante foi o caso do pastor Cláudio Lopes, no mesmo município. No dia 9 de maio, ele foi preso após ter sido acusado de assediar sexualmente três meninas entre 10 e 11 anos, entre elas a sobrinha, que tinha ido passar alguns dias na casa de Lopes. No depoimento dado aos policiais, o pastor contou que buscou ajuda médica. “É uma coisa que eu não sei explicar”, disse à imprensa e aos policiais. QUEM É ELE?
Ana Maria Brayner Iencarelli, psicanalista e colaboradora da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência (Abrapia), relata, no site da ONG, que um pedófilo costuma ser uma pessoa aparentemente normal, e até moralista. Usando de violência física e coerção psicológica, ele tenta exercer a função de substituto paternal para, em seguida, subjugar a vítima. Concretizado o ato, as conseqüências são desastrosas.
A presidente do Conselho Tutelar de Sinop, Chirlei Weber, conta que a filha do pastor Pedro Rosa “não quer saber de ver o pai de novo e freqüentemente questiona por que ele dizia coisas tão boas na igreja e agiu de forma insana”. Ela permanece sob os cuidados da Justiça, enquanto ainda não se decide para quem será dada a guarda.


PROTEJA-SE
A evangélica e delegada Márcia Noely, da Delegacia da Mulher de Nova Iguaçu, acrescenta o fato de que, geralmente, os crimes de pedofilia ocorrem entre pessoas da própria família. Para ela, isto facilita o abuso e, ao mesmo tempo, dificulta a denúncia. “Se houver a denúncia de um pai pedófilo, mas a mãe não quiser levar a queixa adiante, não há como incriminar. É necessário que um dos representantes legais da vítima confirme o caso”, explica Noely. Porém, segundo a delegada, se ambos são acusados, o Conselho Tutelar passa a assumir a guarda da criança.
Para evitar o crime, a delegada, também presidente da ONG de defesa à mulher Atos e Atitudes, orienta uma maior vigilância por parte dos pais sobre as amizades de seus filhos com adultos. “É preciso observar com quem a criança fica, com quem brinca, manter um relacionamento próximo dos filhos”, conclui.
(Tiago Monteiro)


SAIBA COMO PREVENIR SEUS FILHOS DA PEDOFILIA
• Estabeleça um clima de diálogo em seu lar. Esse é o ponto de partida.
• As crianças devem ser educadas com relação à intimidade e orientadas acerca do pudor e do cuidado com os toques nas partes íntimas.
• Descubra com quem seus filhos mantêm amizades, principalmente com adultos.
• Ensine-as a não conversar com desconhecidos, bem como não aceitar alimentos ou presentes de estranhos.
• Ensine seu filho a gritar por socorro e leve-o a memorizar o número do telefone dos pais, de pessoas de confiança e da Polícia.
• Conheça e observe seus familiares. Lembre-se: a maioria dos casos de pedofilia ocorre entre parentes.
• Enfim, conheça seu filho. Ele poderá dar sinais de alterações, caso esteja sendo coagido por alguém.
(Fonte: Site Fórum da Família e Associação Portuguesa de Apoio à Vida)


Creditos: Revista enfoque Gospel.

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