quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Espíritos obsessores.



Às vezes, pronunciamos a palavra “obsessores” como se o conceito designasse uma raça de criaturas diferentes.
Em sã consciência, ninguém se afina com o mal, como ninguém se harmoniza com a doença.
Se providenciamos socorro adequado aos enfermos do cxorpo, por que relegar a regime de absoluta condenação aqueles irmãos nossos que se marginalizaram, do ponto de vista espiritual, em precipícios de trevas?
É preciso considerar que eles são seres humanos, tanto quanto nós, aguardando remédio e proteção para que se levantem, de novo, à altura da Humanidade.
Impossível desconhecer as dificuldades e problemas a que estamos sujeitos pela influência desses companheiros.

Entretanto, se a Bondade do Senhor no-los encaminham é que partilhamos com eles o mesmo quinhão de débito a resgatar ou de serviço a desenvolver.
Comecemos, então, a obra o reajuste, acendendo no íntimo a chama da prece.

Ela clareará nossas almas para que os interpretemos tais quais são: nossos companheiros de caminhada, e obreiros indispensáveis da vida.




Emmanuel, em Encontro Marcado




O que é um espírito obsessor


Para as religiões que lidam com a idéia, os espíritos obsessores seriam aqueles que perturbam as pessoas, influenciando de forma negativa seus atos. O Espiritismo os define como espíritos negativos que agem persistentemente sobre os indivíduos. Já para a Umbanda e o Candomblé, eles podem ser de dois tipos: entidades sem luz enviadas por alguém para fazer o mal (os conhecidos “trabalhos”), ou almas que não encontraram seu caminho após a morte e ficam ao lado de um ser humano, como um “encosto”, atrapalhando-o sem querer.
Os espíritas – assim como os adeptos das crenças afro-brasileiras – não acreditam que alguém nasça predisposto a sofrer o cerco dos obsessores. O que conta é a conduta moral de cada um. “Existe uma disposição psíquica, e sentimentos como ódio, pessimismo e medo abrem a porta ao assédio espiritual negativo”, diz Marta Moura, uma das dirigentes da Federação Espírita Brasileira. Alguém sob essas forças negativas pode sofrer desde mudanças bruscas de humor e enxaquecas até doenças graves sem causa aparente. “As enfermidades de fundo espiritual situam-se no buraco negro daquilo que não é explicado cientificamente”, afirma Marta.
Em relação ao comportamento, os níveis de obsessão vão da simples influência – o espírito “sopra” maus pensamentos – até a subjugação. No último caso, a pessoa é comandada, como se fosse uma marionete. “É como uma esponja embebida em um líquido: a esponja seria a pessoa, e o líquido, o obsessor. É praticamente impossível diferenciar um do outro”, diz Rubens Denizar dos Santos, coordenador do serviço de assistência espiritual do Hospital Espírita de Psiquiatria Bom Retiro, em Curitiba. Dependendo da dominação que exerce, um espírito obsessor pode ser responsável até por suicídios e crimes. Para livrar as pessoas dessa influência nefasta, os espíritas recorrem às sessões de desobsessão. Durante essas cerimônias, após ser incorporado por um médium, o espírito obsessor é doutrinado e encaminhado ao plano espiritual.
Segundo a psicologia, contudo, os casos de obsessão seriam fruto de distúrbios de múltipla personalidade. A “desobsessão”, nesse caso, dá-se por meio da terapia. “Em vez de os expulsar, a psicoterapia integra os diversos aspectos da mente humana, fazendo com que o paciente trabalhe os aspectos sombrios de sua personalidade”, afirma o psicanalista Wellington Zangari, da Universidade de São Paulo (USP). Segundo ele, porém, a interpretação psicológica da obsessão não invalida a visão religiosa. “Ao explicar o fenômeno, a psicologia não busca negar a existência dos espíritos. Temos consciência de nossas limitações e o quão longe estamos de achar uma explicação definitiva para o transcendente”, diz.




Crédito - Rita de Cássia Loiola.

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