sábado, 13 de setembro de 2008

Reencarnação; por que não?

Antes de ser mera questão doutrinária, assenta, pois, seu
fundamento na palavra de Jesus e na própria Bíblia, sem falar na comprovação do fenômeno
reencarnatório pela pesquisa científica, hoje de amplo domínio público.
O parapsicólogo indiano Hamendra Banerjee pesquisou mais de 1.200 casos de pessoas
que tinham nítidas lembranças do que foram em vidas anteriores, ou seja, desde o local onde
tinham vivido no passado até nomes de parentes, passando por seus próprios nomes, apelidos e
fatos acontecidos com elas. Esses dados foram devidamente checados por Banerjee
comprovando a reencarnação, embora tenha ele admitido que é possível alguém recordar-se de
outras vidas através de uma memória extracerebral. No entanto, para nós, espíritas, essa
memória, que sobrevive à morte do corpo físico e volta a existir em outra roupagem carnal,
chama-se espírito reencarnado.
Um fato observado pelo professor Banerjee, na época diretor de pesquisas do Instituto
Indiano de Parapsicologia, trata da reencarnação em sexos opostos. Gnana, com três anos de
idade, afirmava ter sido o menino Tiillekeratne, que morrera aos 11 anos. Quando levada a casa
em que morara na outra vida, a menina ficou muito contente ao reconhecer a irmã e manifestou
aversão ao irmão com quem brigara pouco antes de morrer. Outro caso pesquisado foi o de
Nejati, que dizia ser Nagib Budak. O morto e o reencarnado moravam à distância de 75
quilômetros. Najib fora assassinado com uma punhalada. O menino Nejati nasceu com a marca
do ferimento da punhalada recebida na outra encarnação. Ele também reconheceu casas e
parentes da vida anterior.
CRIANÇAS SUPERDOTADAS
Como explicar, sem a reencarnação, o caso do pequeno Sho Yano, de nove anos? Apesar
da pouca idade, ele já sabe o que pretende ser quando crescer: médico. A diferença é que, ao
contrário das outras crianças, ele não terá de esperar muito por isso. O garoto franzino, de 1,31
metro, acaba de entrar na Universidade de Loyola, em Chicago, Estados Unidos, onde estudará
Medicina. Daqui a quatro anos será doutor. Descendente de japoneses e coreanos, Yano é um
gênio, e daqueles brilhantes. Tanto que seu coeficiente intelectual (QI) supera o índice máximo de
200 pontos. Graças à sua genialidade, ele se tornou o mais jovem universitário dos Estados
Unidos.
Matthew Marcus, de doze anos de idade, residente em White Piains, subúrbio de Nova
Iorque, é o mais jovem estudante deste século do college norte-americano. Autodidata em
Matemática, Química e Física, em dois anos completou os seis anos da high school.
Por conselho dos professores, os pais de Matthew decidiram matriculá-lo numa escola
superior. Hoje, seus colegas de classe são rapazes e moças de mais de 18 anos. Comporta-se
normalmente como um menino da sua idade, diferenciando-se apenas quando penetra na
intimidade dos livros de Cálculos Avançados, Mecânica, Física, Química, etc.
Em virtude do crescente número de crianças com grau de inteligência superior à média
comum, tem-se desenvolvido muito a pesquisa em torno das prováveis origens desse fenômeno.
Sobre o assunto, existem duas teses mediante as quais a ciência acadêmica tem procurado
explicar a existência de superdotados.
A primeira delas é a da hereditariedade genética, isto é: pais superinteligentes gerariam
filhos superinteligentes. A segunda tese atribui o fenômeno ao que chama de hipoxemia cerebral:
crianças nascidas de partos difíceis teriam, em decorrência disso, as células cerebrais
estimuladas, e disso decorreria um quociente de inteligência superior.
Ambas têm cunho materialista e nenhuma vai a fundo na questão. Nenhuma tem a
coragem de examinar o problema à luz de uma filosofia que considere o homem como algo
transcendente à matéria. Só a teoria reencarnacionista pode abrir à Ciência caminhos mais
seguros para uma investigação eficiente acerca desse e de outros fenômenos da mesma
natureza. Em sua milenar sabedoria, Sócrates afirmava que “aprender é recordar”.
Léon Denis, abonando a tese espírita de que a inteligência é atributo do espírito e não da
matéria, lembra gênios que foram pais de néscios, como Marco Aurélio que gerou Cômodo. Todos
nós conhecemos filhos de excepcional inteligência, tendo por pais pessoas absolutamente
comuns, ou vice-versa. E nem todos os casos decorrem de partos difíceis.
A REENCARNAÇÃO NA BÍBLIA
Entre os judeus, a crença da reencarnação era geral. Textos do Velho Testamento e do
Evangelho de Jesus aludem à reencarnação com o nome de ressurreição.
A primeira passagem em que Jesus admitiu o renascimento em outro corpo ocorreu
quando revelou, a dois enviados de João Batista, que este era “o Elias que havia de vir”, ou seja,
a reencarnação de Elias. Com isso, Jesus confirmou explicitamente o retorno do espírito a um
novo corpo de carne, que nada tem a ver com o anterior, confirmando assim as profecias
registradas no Velho Testamento acerca do retorno de Elias, como seu precursor. É importante
esclarecer que a última profecia a esse respeito encontra-se no versículo 5, capitulo 4, do Livro de
Malaquias.
A segunda vez em que Jesus nos fala de reencarnação foi no Monte Tabor, após a sua
transfiguração, estando presentes Pedro, João e Tiago. Nessa oportunidade, segundo o relato de
Marcos, Ele conversou com os espíritos de Elias e Moisés materializados.
Isso se deu quando os apóstolos, ao descerem do Monte Tabor, procuraram obter de
Jesus um esclarecimento para a seguinte dúvida: se os fariseus e os escribas, intérpretes das
escrituras, declaravam que Elias ao voltar desempenharia a missão de precursor do Messias, isto
é, desempenharia sua missão antes de Jesus e que Elias estava no mundo espiritual, logo Jesus
não seria o Messias esperado. Diante desse questionamento, o Mestre respondeu sem rodeios:
“Mas digo-vos que Elias já veio, e fizeram dele quanto quiseram, como está escrito dele”.
Ao receberem essa resposta, eles deduziram que o espírito Elias havia reencarnado como
João Batista, que, em virtude de ter sido degolado, a mando de Herodes, já havia retornado à
espiritualidade. Tudo isso se confirma com o registro de Mateus sobre a conclusão a que os
apóstolos chegaram: “Então os discípulos compreenderam que Jesus tinha falado de João
Batista”.
JESUS E NICODEMUS
A terceira passagem na qual Jesus também se refere à reencarnação foi no diálogo
estabelecido com Nicodemus. Ao ser questionado pelo Doutor da Lei sobre o que seria necessário
para alcançar o “reino dos céus”, em outras palavras a perfeição espiritual, Jesus sentenciou:
“Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo”.
Diante desta resposta, diz Nicodemus: “Como pode nascer um homem já velho? Pode
tornar a entrar no ventre de sua mãe, para nascer pela segunda vez?”.
E Jesus redargüiu entre outros esclarecimentos, afirmando: “... Não te admires de que eu
te haja dito ser preciso que nasças de novo”.
PAULO DE TARSO E A REENCARNAÇÃO
Quanto ao fato de o apóstolo Paulo ter dito que “os homens devem morrer uma só vez,
depois do que vem o julgamento”, entendemos que ele, ao expressar-se dessa forma, não
pretendeu de maneira alguma negar a reencarnação, pois é evidente que estava se referindo à
morte do corpo físico e não à da alma, pois ela, de fato, não morre nem uma vez; é claro que
ele não poderia ter dito tal absurdo, levando-se em consideração que o Apóstolo dos Gentios tinha
plena convicção da imortalidade.
JUSTIÇA DIVINA
Sob o aspecto moral, como explicar os mecanismos da Justiça Divina sem a
reencarnação, ante tão gritantes diferenças sociais, físicas e intelectuais facilmente perceptíveis
entre as criaturas, filhas do mesmo Pai Celestial? Eis porque aqueles que hoje levam a miséria a
muitos dos seus irmãos em humanidade, voltarão à Terra em condições de extrema pobreza.
Aqueles que tiraram a vida de seus semelhantes reencarnarão amanhã, exibindo as chagas da
lepra ou experimentando as dores do câncer. É o funcionamento da lei de causa e efeito, ou
melhor, é a aplicação do “a cada um será dado segundo as suas próprias obras”.
Enfim, com a reencarnação temos a certeza de que depois da morte continuaremos a
viver, e retornaremos a um novo corpo físico tantas vezes sejam necessárias, até que, pelos
degraus abençoados da evolução, atinjamos a perfeição espiritual.
Diante de todas essas evidências é que o Codificador do Espiritismo, Allan Kardec,
enunciou a máxima: “nascer, morrer, renascer ainda, progredir sempre, esta é a lei”.
Gerson Simões Monteiro

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