sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Quando Mario vira Maria.



Lembro-me como se fosse hoje de um valentão que morava no bairro onde passei a minha infância.
Era um cara forte e grande, deliciava-se em bater em qualquer um que o olhasse, simplesmente para mostrar que ainda mantinha sua supremacia na região.
Pois bem, estava eu dentro de uma padaria do bairro, comprando pão para a minha mãe. Naquele exato momento entrou um senhor baixinho, 1,60 mais ou menos, como a área do comércio estava lotada de pessoas, sem querer, esbarrou no valentão.
O tal valentão virou-se, segurou o senhor pela gola da camisa e o chaqualhou como se fosse um boneco.
Sem saber o que estava acontecendo, o senhorzinho espantou-se com a atitude daquele animal.
O animal não se contentou com a chaqualhada e deu um tapa na cabeça do infeliz.
Aquilo indignou a muitos, pelo menos imagino, mas ninguém atreveu-se a tomar as dores do pobre homem. Mas não foi necessário!
O pequenino saiu rápido entrou no seu carro apanhou um revólver que mais se parecia com um rifle, de tão grande que era, partindo para cima do machão.
Aí a surpresa foi do valentão!
O pequenino conseguiu colocar o machão em um canto de parede, com o cano do revolver dentro da boca do desafeto.
O homem afundava tanto o cano da boca do infeliz que parecia estar disposto a examinar o estomago do provável defunto.
Falava em voz alta e forte:
-Bate na minha cabeça agora seu mer.....
-Vai aprender no inferno que em homem não se bate.
Ninguém se mexia de tanto pavor, a esperar que o pior viesse a acontecer.
De repente o senhorzinho tirou rápido a arma da boca do infeliz dando um tiro para o alto, retornando a arma na boca do machão. Aquilo deve ter doído muito, porque estava saindo fumaça do cano e quando ele colocou o cano de volta fez aquele barulho de água jogada em chapa quente.
Foi quando todos perceberam o lago que se formava aos pés do machão... era mijo!
Havia se urinado todo, não só isso, o cheiro que começava a tomar toda a padaria era horrível. O homem havia se sujado todo...
Além disso, chorava copiosamente.
O homem tirou o revolver da boca do infeliz e falou:
-Some daqui, pensei que fosse homem, mas é um merda...
Nunca vi alguém correr tanto; quase foi atropelado na rua, tropeçando, caindo, todo sujo e mijado.
O valentão sumiu, nunca mais foi visto no bairro.
Então lembrem-se: todo Mario um dia pode virar Maria.




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