sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

HISTÓRIAS DO JAÇANÃ



As histórias de um hospital centenário


Centro de referência em hanseníase e tuberculose, local registra passagem de personagens ilustres.
Em setembro, o Hospital São Luiz Gonzaga, no Jaçanã, completa 100 anos.Fundado em 1904, em uma fazenda de 160 alqueires, sua função era cuidar de doentes que sofriam com a hanseníase.Naquela época, essa doença, incurável e transmissível, era um problema de saúde pública que amedrontava a população. Por isso, foi construído um sanatório tão distante do centro da cidade.Não havia nenhuma estrada, sequer pontes no Rio Tietê. Por isso, conta a lenda que os doentes chegavam à região no lombo de burros. “Brincamos que o centro médico é mais antigo que o trem das onze, que Adoniram Barbosa cantou”, diz o dministrador, Sylvio Mauro Pereira.O hospital foi inaugurado com o nome de Leprosário Guapira, mantido pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Em 1932, acabou rebatizado com o nome atual e passou a cuidar de outro mal da época, a tuberculose. Foi lá que vários remédios contra a doença foram testados e se realizou o 1.º

Congresso Brasileiro de Tuberculose. Muitas histórias margeiam o local, como um pinheiro que teria sido plantado por Monteiro Lobato. “Só não conseguimos saber ainda se ele passou por aqui como paciente ou como visitante”, diz Pereira. Oadministrador relata que, nas décadas de 1930 e 1940, era comum os pacientes que tinham alta médica plantarem uma árvore nas dependências do centro médico.Outra curiosidade são os painéis de pintores famosos,como Volpi, que ficam na área da maternidade.“Estamos tentando trazer uma historiadora para fazer um levantamento das obras.”Um dos médicos mais conceituados do Brasil também passou pelo local. Euriclides de Jesus Zerbini chegou ao São Luiz Gonzaga em 1937, como médico

voluntário. Saiu de lá em 1953, como chefe do Departamento de Cirurgia Torácica. “Foi aqui que ele desenvolveu as técnicas para, mais tarde, fazer o primeiro transplante de coração da América Latina”, diz Pereira. Morador – O médico Manoel Joaquim Moreira Dias, de 79 anos, começou como residente, em 1952. Nunca mais deixou as dependências do hospital. Trabalhou em outros locais, masmora no centro médico desde aquela época. “Sou de Campinas e vim fazer a Faculdade Paulista de Medicina.Morava em uma pensão.Quando um professor nos ofereceu um estágio, vim morar primeiro em um dos pavimentos e, em 1958, na casa onde estou até hoje”, conta. Em 1968, o São Luiz Gonzaga se tornou um hospital geral, pois a tuberculose passou a ser uma

doença tratável. Na fim dadécada de 1970, desativou-se o lugar, por causa dos problemas financeiros que a Santa Casa passava. Em 1988, o pronto-socorro reabriu como hospital municipal. Só em 1994 voltou às mãos da Santa Casa e retomou as atividades gerais. Aos poucos, com o crescimento do bairro, a área do centro médico foi sendo doada e vendida, ficando, mesmo assim, com 60 mil metros quadrados de área construída e muito verde. Passam pelo lugar cerca de 1.500 pessoas diariamente. O local atende moradores do entorno e de Guarulhos, sendo um dos hospitais mais importantes da região. Tem 280 leitos de internação e realiza 3 mil partos anualmente.

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