sábado, 21 de agosto de 2010

Colômbia e os cadáveres de Uribe.


A se confirmar a responsabilidade do govêrno Uribe nos corpos de pessoas desaparecidas, espero que haja um julgamento internacional sobre esses crimes. Que o Brasil no seu processo de benevolência não aceite fugitivos políticos assassinos.
Temos nosso cemitério clandestino histórico (Dom Bosco em Perus - São Paulo) que é uma de nossas vergonhas do passado, que até então passou para um quase esquecimento.
A ONU e o tribunal Internacional de Haia, devem se aproximar da apuração, ponto a ponto dessa monstruosidade Colombiana.
Reafirmo que o Brasil não deverá assumir a tutela de assassinos que queiram se refugiar aqui. Nós brasileiros os consideraremos bandidos sórdidos e assassinos, e disto já estamos cheios na Pátria.
Leiam a reportagem abaixo da folha Universal.


"A descoberta de centenas de corpos de pessoas desaparecidas em um cemitério clandestino de uma base do Exército na Colômbia marcou o fim do segundo mandato de Álvaro Uribe como presidente. Após oito anos no poder, ele foi substituído no último fim de semana por Juan Manuel Santos, seu antigo ministro da Defesa.
A denúncia é grave. Se confirmada a suspeita de que há mais de 2 mil corpos enterrados sem identificação na base militar do município de La Macarena, na província de Meta, esta pode ser a maior cova clandestina já encontrada na América Latina.
O número foi estimado em um relatório interno feito em 12 de fevereiro de 2010 pela diretora nacional de Investigações Especiais da Procuradoria do país, Alexandra Valencia.
O documento foi divulgado por Iván Cepeda Castro, deputado de oposição e representante do Movimento de Vítimas de Crimes do Estado (Movice), durante audiência pública de Direitos Humanos realizada na semana retrasada.
Uribe não só rechaçou a denúncia, como aproveitou para visitar a base e classificar como terroristas os que acusam o Exército de ocultar corpos de maneira clandestina. Não é a primeira vez que ele se vê envolvido neste tipo de escândalo. Em novembro de 2008, o comandante do Exército, general Mario Montoya, renunciou após a descoberta de que militares haviam massacrado civis e inocentes e classificado os mortos como de guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARCs), de olho em gratificações por bravura e promoções.
O episódio, conhecido como o dos “Falsos Positivos”, foi marcado pela descoberta de corpos de jovens de Soacha, vizinhança de Bogotá, enterrados em Santander, a 800 quilômetros da capital. Investigações da época revelaram ligações entre políticos próximos a Uribe e paramilitares.
Desta vez, a denúncia foi feita com a presença de parlamentares e representantes de organizações independentes e de sindicatos dos Estados Unidos e da Europa, que puderam visitar o cemitério clandestino e ouvir o testemunho de parentes dos desaparecidos.
“É óbvio que algo errado aconteceu e isso precisa ser investigado. O presidente Uribe diz que tudo não passa de uma armação de terroristas. Não foi o que vi.
Ouvi as pessoas chorando, mães que perderam os filhos, crianças que perderam os pais, coisas que não são possíveis de encenar”, resumiu, em entrevista à Folha Universal, o representante da Dinamarca no Parlamento Europeu, Ole Christensen, um dos estrangeiros que esteve no cemitério.
“Muitos líderes trabalhistas e camponeses têm sido perseguidos. Um governo não pode classificar quem tem opinião diferente como terrorista”, afirmou. Para Christensen, como ex-ministro da Defesa, o novo presidente também tem responsabilidade no episódio.
O político europeu, porém, diz ter esperança que a situação melhore com a saída de Uribe.Santos assume o poder em um contexto complexo, ainda marcado por disputas por controle territorial e pelas rotas de tráfico.
Ele tem o desafio de acabar com as ligações entre as tropas e grupos paramilitares e, ao mesmo tempo, retomar áreas ainda controladas pelas FARCs.
Há negociações em curso para um acordo de paz com os guerrilheiros.
As FARCs começaram como uma guerrilha formada para defender camponeses, mas passaram a traficar e realizar sequestros e a serem vistas nas cidades como organizações criminosas e não políticas.
É por se apresentar como principal opositor do grupo que, apesar do anseio popular pela estabilização do país e mesmo envolvido em denúncias graves, Uribe e seus aliados ainda têm apoio e representatividade.
Além de minimizar a gravidade da denúncia e classificar tudo como “terrorismo”, Uribe também aproveitou seus últimos dias no poder para acusar a presença das FARCs na Venezuela, minando a aproximação incipiente entre seu sucessor e o presidente Hugo Chávez.
As declarações fizeram com que o mandatário do país vizinho cortasse relações diplomáticas e causaram tanto estrago que, para não prejudicar o novo governo, a revista “The Economist”, publicação internacional respeitada, sugeriu que Santos concedesse a Uribe um cargo especial daqui para frente: de embaixador na China."





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