sábado, 18 de setembro de 2010

O caso Erenice Guerra poderá criar uma desestabilização no futuro governo, veja o que diz o New York Times.

Escândalo ‘tira o brilho’ da candidatura de Dilma, diz jornal

Dilma Rousseff durante evento de campanha no Rio de Janeiro
Apesar de escândalo, jornais vêem vitória de Dilma quase certa
O escândalo que derrubou a ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, ganhou destaque em vários jornais estrangeiros nesta sexta-feira.
O britânico The Times traz um artigo assinado pela editora de internacional do jornal, Bronwen Maddox, intitulado “Acusações de corrupção tiram o brilho da sucessora de uma superestrela”.
O artigo comenta que a vitória de Dilma Rousseff nas eleições presidenciais, com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é dada quase como certa, mas diz que as acusações de corrupção contra a aliada próxima podem reduzir sua liderança ou mesmo “ofuscar o início de sua presidência em um momento crucial para o Brasil”.
A ministra Erenice Guerra, braço-direito e sucessora de Dilma Rousseff na Casa Civil, anunciou na quinta-feira sua demissão do cargo após duas denúncias sobre suposto tráfico de influência e cobrança de propinas envolvendo seus filhos.
Erenice Guerra negou as acusações e disse que deixaria o cargo para se defender do que chamou de “sórdida campanha” para “desconstruir” sua imagem.
O artigo no Times observa que, “apesar de as acusações terem sido negadas por um coro estridente, elas reduziram o ímpeto (de Dilma Rousseff), e uma vitória clara no primeiro turno, no dia 3 de outubro, não pode mais ser presumida”.
“Apesar de a vitória agora parecer inevitável, o endosso de seu mentor (Lula) não a pode proteger totalmente desses danos”, diz.
'Chuva de acusações'
O diário espanhol El País desta sexta-feira traz uma reportagem assinada pelo correspondente no Rio de Janeiro, Francho Barón, com análise semelhante.
“A chuva de acusações de tráfico de influências e corrupção que salpicou nos últimos dias a candidata à Presidência do Brasil, Dilma Rousseff, precipitou a saída fulminante da até ontem ministra da Casa Civil e ex-colaboradora próxima de Rousseff, Erenice Guerra”, informa o texto.
Para o jornal, “o escândalo ameaça impactar de forma negativa na brilhante campanha eleitoral de Rousseff”.
O texto comenta que a candidata de Lula “acusa a oposição de jogar sujo na reta final da corrida eleitoral aventando acusações sem fundamento contra pessoas à sua volta”.
'Recordação'
O americano The Wall Street Journal também destaca o assunto em sua edição desta sexta-feira, com um texto intitulado “Escândalo Ofusca Candidata no Brasil”.
“Pelo fato de Guerra ser ex-braço-direito de Dilma Rousseff, a ex-chefe da Casa Civil do presidente e sua candidata escolhida para a Presidência, o escândalo é uma recordação de outras acusações de corrupção que mancharam o popular Partido dos Trabalhadores”, diz o jornal.
O texto observa que as acusações não devem mudar o resultado da eleição no dia 3 de outubro, mas “forçaram o governo e a campanha de Rousseff a trabalhar em modo de controle de danos”.
O jornal comenta que no passado os eleitores brasileiros ignoraram escândalos de corrupção quando os candidatos não pareciam estar diretamente envolvidos e que o próprio Lula foi beneficiado por esse fato nas eleições de 2006, após o escândalo do mensalão.
“A mesma coisa deve acontecer com Rousseff, cujo sucesso na campanha é longamente atribuído ao apoio de Lula, que está impedido pela lei de concorrer a um terceiro mandato consecutivo”, diz o Wall Street Journal.
O jornal observa que, “com poucas outras armas” para tirar a vantagem de Dilma, o principal candidato opositor, José Serra, do PSDB, intensificou seus ataques para tentar ligar a candidata do governo ao escândalo envolvendo Erenice Guerra e a um escândalo anterior, no qual funcionários da Receita Federal foram acusados de acessar informações sigilosas de pessoas ligadas a candidatos da oposição.

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