terça-feira, 5 de outubro de 2010

Miguel Ricci, a criança morta dentro do Colégio Adventista de Embu das Artes.

Polícia investiga se roupa de suspeito de balear colega em escola de SP foi lavada
Infelizmente o caso do garotinho Miguel, está servindo para constatarmos quão falhas são as relações humanas, os valores aplicados ao caso, principalmente por parte da escola e dos pais do menino que "provavelmente", seja o responsável direto pelo ocorrido.
O caso exige transparência e ação digna dos envolvidos para que a clareza seja trazida à sociedade.
Infelizmente, ou terrivelmente, o fato já ocorreu, denota falha dos pais do suposto garoto que trouxe à escola a arma que matou o pequeno Miguel, ou mesmo, da escola que permitiu o ingresso da arma, ou da falta de comando para contribuir ativamente, desde o início, para elucidação dos fatos.
Deixaram de acionar o 190 que poderia ter salvo a vida do Miguel.
Mudaram o cenário do fato.
Levaram uma criança baleada mortalmente para um hospital há quilometros de distância, sendo que haveria socorro muito mais próximo ao local do ocorrido.
Há várias condutas indevidas, mas a que mais me preocupa é a dos pais do pseudo autor do disparo.
Se realmente ocorreu o que as investigações até agora sugerem foi mesmo um garoto que trouxe a arma à escola. Mas como se sucedeu o disparo ainda é mistério.
Agora pergunto: por quê até agora os pais do garoto não agiram dignamente e assumiram o que já é irremediável? Será que perdemos totalmente o espírito social e moral, deixando claro que o problema não é meu? Será que estamos presenciando o me engana que eu gosto? 
Aos pais responsáveis é bom que saibam que essa ocorrência culposa pode se tornar dolosa com os atos de obstrução das investigações e justiça.
Por outro lado, se houver participação de uma segunda pessoa na cena da tragédia, que possivelmente poderia ter tentado desarmar a criança, torna o caso diretamente sobre a responsabilidade da escola, caso seja do seu conhecimento.
Enfim o que mais me assusta é o fato de obstruirem e esconderem, de isentarem-se até o momento de responsabilidades.
Sou pai de quatro filhos e a minha educação e formação jamais isentaria-me de responsabilidade caso estivesse na mesma situação. Já em casos infinitamente menores, assumi responsabilidade por vários fatos de descaminho dos meus filhos; coisas irrisórias mas que para mim poderiam acobertá-los e transferir a responsabilidade de suas traquinagens a terceiros.
Algumas pessoas quando sob pressão mostram toda a fraqueza e falta de valores que deveriam possuir.
Essa escola por ser ligada a uma religião que prima por analisar e condenar o mundo, pois eu já fui vítima de preconceito por ela (abaixo eu conto), deveria ser a primeira a abrir as portas da clareza.

O preconceito que sofri:

Tenho primos que são Adventistas. Há anos fui ao casamento de um dos primos. Muito bonita a cerimônia, principalmente na organização.
Após a cerimônia fomos a um salão contíguo à igreja, onde ocorreria a festa.
Estávamos em muitos parentes e amigos.
Foi quando o meu primo, por sinal o noivo, trouxe até o nosso grupo o pastor que realizou o casamento.
Conversamos rapidamente, elogiei tudo o que até então eu havia visto.
Foi quando o pastor, americano, me perguntou:
- O senhor é adventista?
Respondi normalmente:
- Não, sou católico.
Fiquei boquiaberto com a resposta do pastor:
- Então o senhor não é filho de Deus, é criatura de Deus!
- Olhei de lado, aturdido com a colocação do pastor, e perguntei:
-Criatura? Criatura seria uma pedra, um cão, um carro, um asno.....????
-Sim! Respondeu.
Eu pensava em partir para a ignorância ou continuar a conversa, resolvi continuar a conversa:
-Pastor, por quê o senhor me chama de criatura de Deus?
-Porque você não aceitou Jesus e como católico é um adorador de ídolos.
Agradeci a todos, inclusive ao meu primo que estava se casando e disse o seguinte:
-Obrigado, mas a criatura de Deus irá ao seu meio, deixando os filhos de Deus continuar em sua festa. Estou me sentindo pela primeira vez na vida como se estivesse em Belfast.
Quiseram que eu ficasse mas percebi que não acabaria bem a estória, optando realmente por ir embora. Meu pai foi junto e o resto do clã dos católicos.
Era época que ainda não tínhamos a nova constituição que prevê como crime discriminações como a que mencionei, mas, decisões de foro íntimo não se muda por decreto, pois ainda temos intolerâncias que fazem parte do arcabouço de muitas pessoas, entidades, etc...
Enfim, mencionei o ocorrido, para deixar claro que é possível que no seio de qualquer associação, pode haver decisões e preceitos de foro íntimo que dêem ares de lei pessoal, podendo inclusive a vir interferir em casos tão graves como o do menino Miguel.

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