quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Parque Edu Chaves: nova postagem

Este documento abaixo pode ser encontrado em sua forma original na Associação Museu Memória do Jaçanã com o Sr. Silvio Bittecourt.



PARQUE EDU CHAVES, com suas ruas largas, plantas e bem traçadas, uma beleza urbanística semelhante a Praça do Arco do Triunfo de Paris. Vamos nos orgulhar destes privilégios, transformando o bairro bem original ao seu nome, acentuado pelo verde e pelas flores, pis as árvores além de purificar o ar, será atrativo natural dos pássaros e das borboletas.

Biografia



Eduardo Pacheco Chaves

Nasceu em São Paulo no dia 18 de julho 1887 e morreu no dia 21 de junho de 1975 em São Paulo. Filho de Elias Pacheco Chaves e Anésia da Silva Chaves, barões do café, pertencia a alta sociedade paulista. Casado com Jeanne Pacheco Chaves, o aviador morava em Pinheiros, Zona Oeste, nos últimos anos de sua vida. Teve somente uma filha. Faleceu aos 87 anos, vitima de uma trombose.
Amigo pessoal do inventor do avião, Santos Dumont e considerado o primeiro brasileiro a tirar, em 28 de julho de 1911 o brevê de piloto pela Escola de Aviação de Etamps, na França. De volta ao Brasil trouxe alguns aviões como o Bleriot, o Condron e Morane, chegando a possuir 21 aparelhos, confiscado pela revolução comandada pelo General Isidoro Dias Lopes em 1924, contrariado parte para o interior do Estado.
Edu Chaves, como foi conhecido durante toda sua vida, cursou Escola Politécnica de São Paulo e seguiu para Bélgica onde estudou na Universidade de Liége.
Quando voltou ao Brasil, Edu Chaves fez o primeiro vôo entre a capital e o Rio de Janeiro. O aviador decolou no prado da Mooca, Zona Leste, e pousou no Estado do Rio. Incorporado à Legião Estrangeira chegou a participar da Primeira Guerra mundial. Em 1914 partiu o primeiro vôo para a ligação Rio-Buenos Aires, um salto tecnológico para época. Em 1920 pilotando um aparelho de apenas um lugar saiu do Rio com destino a Buenos Aires, na Argentina. Nove dias depois chegou à cidade argentina com escalas em São Paulo, Porto Alegre (RS) e Montevidéu (Uruguai). Demonstrando técnica perfeita e extraordinária segurança o piloto realizou diversos vôos na Europa e fundou a Escola de Pilotagem da Força Pública de São Paulo.
Essas façanhas tiveram repercussão internacional notabilizando-o.


História

DESENVOLVIMENTO DO BAIRRO

O Parque foi fundado em 03/12/1924. Escrever sobre o Parque Edu Chaves é escrever um capitulo da História do Brasil e até mesmo da História Universal, tal é a importância de deus personagens em relação a história da humanidade. O Parque Edu Chaves foi uma fazenda agrícola de arroz, cultura mais adequada ao solo, que era um verdadeiro pântano. O proprietário desta vasta região situado entre os bairros Vila Sabrina, Jardim Brasil, Jaçanã e Rodovia Fernão Dias (Vila Galvão). Foi Eduardo Pacheco Chaves, daí no nome do bairro: Parque Edu Chaves. Em 1926 foi traçado o loteamento do Parque Edu Chaves.
Localizada mais ou menos, 13 quilômetros do centro da cidade a 1200 metros da linha de ônibus que fazia o Itinerário Estação da Luz – Vila Galvão e a quase 2,5 Km da estação jaçanã, pois dos 1535 lotes que compõem o bairro, apenas alguns eram construídos, em sua maioria com barracões de madeiras. Onde na época das águas, as enchentes atingiam até dois metros de altura, colocando em desespero os seus moradores que além de procurarem não morrer afogados, tinham que se defender das cobras que arrastadas pelas enxurradas, vinham como loucas, procurando enrolar-se em tudo que estivesse parado em sua frente.
Os serviços de drenagem e aterro para dar fim ás enchentes processavam-se lentamente, alguns moradores preferiam sujeitar-se a ficar, outros esperavam a época da seca, para pintar e vender suas casas, procurando assim fugir da calamidade das enchentes.
Uma das primeiras construções do bairro foi o Núcleo Residencial destinados aos Subtenentes e Sargentos da Força Pública. Em 1932, o Subtenente José Antunes, presidente do Centro Social dos Sargentos, entendimento com o Coronel Euryale de Jesus Zerbini, Comandante da Força Pública conseguiram na Caixa Econômica Estadual, financiamentos para a construção de 300 casas, construídas em grupo de 100 cada. O preço de cada casa foi de 100 mil, sendo que as do último grupo custaram um pouco mais de 200 mil.
Com a construção do conjunto habitacional dos Sargentos, começaram a surgir os demais moradores e os primeiros comerciantes, sendo que até 1956 o bairro não contava com mais de 300 casas, sendo 300 sargentos e 80 dos demais moradores espalhadas por todo o bairro.
Com a ligação da Via Dutra com a Fernão Dias, o desenvolvimento do bairro acelerou-se, os poucos moradores começaram a unir-se talvez devido ao sofrimento o espírito comunitário começou a desenvolver-se e unidos começaram a reivindicar para que fosse suprida todas as necessidades do bairro. As ruas eram intransitáveis com enormes poças que bem poucos se atreviam por elas passar.
A praça Santos Dumont (atual Comandante Eduardo de Oliveira) tinha em seu centro um lago cercado por um bosque de eucaliptos. Nesse lago o Sr. Tubero, Sr. Manoel Franco Filho e o Sr. Manoel Rosqueti com os demais moradores pescavam traíras e caçavam rãs.
Para irem ao trabalho os antigos moradores saiam da casa vestido com calção, levando em suas mãos sapatos e calças limpas, ao chegarem na praça, trocavam-nas e guardavam os sujos na Padaria dos Irmãos Pereira ou no Depósito Jaguar dos Irmãos Baldin, já trocados pegavam ônibus que os levariam ao trabalho. Na volta o ritual repetia-se, pisando o que eles chamavam de “barro nosso de cada dia’’.
O traçado incomum das ruas, todas arredondadas em torno da praça Comandante Eduardo de Oliveira, é a primeira coisa que chama atenção de quem visita o Parque Edu Chaves inspirado na Place D’ Etoille em Paris, França onde fica o Arco do Triunfo. Outra característica do bairro, que tem aproximadamente 60.000 moradores, é a topografia plana, em nível mais baixo que os demais.
Segundo moradores, a união da população e de suas entidades representativas é uma tradição do bairro desde que começaram as lutas para drenar e aterrar o pantanoso terreno da região. A batalha contra as enchentes, que durantes muitos anos causaram grandes problemas aos moradores, deu origem a entidade S.O.S. Enchente, a plantação de árvores e a luta pela preservação ambiental.
De 365 árvores listadas em 1994, hoje o quadrilátero central do bairro dispõe de 1.515 plantadas, sempre aos domingos, pela Brigada Ecológica Edu Chaves que se encarregou de explicar para as crianças a importância do equilíbrio ambiental.
Os antigos moradores garantem que hoje, o bairro é um excelente lugar para se viver, possui todas as benfeitorias, suas ruas totalmente asfaltadas e iluminadas. Tornou-se estritamente residencial. O comércio está bem desenvolvido e os moradores são servidos por ótima condução, verdadeiro prêmio aos que foram perseverantes.


MOVIMENTOS REIVINDICATÓRIOS

No início de 1955 foi formada a comissão Pró-melhoramentos do Parque Edu Chaves, criado pelo subtenente Idelfonso Medeiros com a finalidade de intervir junto às autoridades. Na primeira Gestão foi presidente o Primeiro Sargento Arlindo de Souza que conseguiu para o bairro melhor arruamento para as principais vias, quatro caixas de água para abastecimento aos moradores, construção do Recanto Infantil e uma linha de ônibus da CMTC ligando o parque Edu Chaves ao Tucuruvi. Na segunda gestão foi presidente o Subtenente Herotildes que restabeleceu o itinerário do ônibus com a construção de uma nova ponte por parte da prefeitura, o término da construção do grupo escolar, do Recanto Infantil, instalação de Rede elétrica e da caixa de esgoto.


OS PRIMEIROS COMERCIANTES

Os primeiros comerciantes do bairro foram: Material de Construção Pinheiro, atual Jaguar – alto na antiga Praça Santos Dumont, atual Comandante Eduardo de Oliveira. A padaria dos Irmãos pereira, na praça Santos Dumont, atualmente na Av. Roland Garros, 2013, a Sapataria do Leonel, atual Casa do Couro, na Av. Roland Garros. O Bar do Álvaro, Av. Roland Garros; o Bar do Pepe, na rua Jorge Guinio Pinholar – Materiais de Construção, na rua Rei Alberto, atualmente na Av. Edu Chaves. A Coap do Chico, na Praça Santos Dumont. O empório do Sr. Olavio. O Bar do Fausto, Casa Papa - Material para Construção niais lardo dos Irmãos Padilha e atualmente o Supermercado do Povo na Av. Edu Chaves, farmácia Ursula de Da. Ursula, situada no prédio do ar Rios. Um açougue na rua Tenente Mário Barbeiro. A escola na Av. Edu Chaves, 195, atual 1031, foi a primeira escola e aos domingos era cinema, mais tarde o salão serviu de garagem para os tratores que aterraram o bairro. A vacaria do Marcondes, na Roland Garros, cujos animais pastavam nas ruas do bairro, e quando o gado era reunido, o povo tinha que esperar quase 30 minutos até o gado passar a desimpedir a rua. A imobiliária Júlio F. Teixeira, na Av. Edu Chaves, até hoje no local. O foto Studio Paulo, Av. Roland Garros, 2033. O Sr. José Maria da Silva, que abriu a primeira Industria do bairro. Consertando móveis e brinquedos de crianças, hoje proprietário da INAP. Industrias especializada em gabinetes, situada a rua Cícero Marques, 156.
Todos verdadeiros heróis que vieram para com qual luta diária transformar aquele local num verdadeiro e progressivo bairro. Hoje em sua maioria são homens realizados, felizes, encaram a comunidade e o bairro, sem nenhum motivo para envergonhar-se, pois eles sempre tiveram presentes para o desenvolvimento da comunidade.


LUZ E ÁGUA NO PARQUE EDU CHAVES

Em 1954, o bairro não tinha luz, a não ser emprestada por alguns moradores da Avenida Edu Chaves, e da Avenida Roland Garros, o fio era esticado e suspenso por bambus, era um bambu e poste de madeira e aquela extensão, que o próprio morador levava, era dividida para mais de 40 casas. Quando chegava a noite a luz era tão fraca que era o mesmo que não a tivesse. Em 1956 foi feito um abaixo-assinado pelo Centro Social dos Sargentos, que criaram a comissão de melhoramento Pró-Parque Edu Chaves – sob a presidência do Subtenente Ildefonso Medeiros, que reivindicaram para que a luz fosse colocada. Os moradores deveriam pagar a colocação dos postes. A Light cobrou Cr$ 1.127.180.00, quantia essa correspondia a uma extensão de fios em 312 postes de rede. Em 1973 foram colocadas as luminárias de mercúrio.
A água era de poço quando chovia as enxurradas enchiam os poços tornando a água insalubre. Devido a isso a comissão de melhoramento Pró-Parque Edu Chaves na pessoa do Primeiro Sargento Arlindo de Souza Picolli, conseguiu quatro caixas de d’água abastecidas pela prefeitura. Foram colocadas nas esquinas para que o povo pudesse servir-se. A fila era enorme, e todos temerosos que a água pudesse acabar ficavam discutindo, gerando brigas e confusões.
O Sargento Mazzei, que era amigo do Prefeito Faria Lima trouxe-o um dia para que ele pudesse constatar a situação do povo em relação a água. Vendo a má qualidade da água e o sofrimento dos moradores, providenciou logo a extensão da rede. Em 1958 os moradores do Parque Edu Chaves tiveram o prazer de ver a água jorrar de suas torneiras.


MEIOS DE LOCOMOÇÃO NO PARQUE EDU CHAVES

Os primeiros moradores vinham até o Jaçanã de trenzinho da Cantareira, lá tiravam as calças, o sapato e a meia e de calção vinham pisando no barro, pela Av. Edu Chaves (atual Av. Luís Stamatis da Av. Guapira até o Cine Coliseu). O primeiro ônibus a chegar no Parque Edu Chaves foi o da força pública e eram guiado pelo Sr. João Alves De Sousa, esse ônibus só transportava os sargentos, sendo que o povão continuava indo a pé. Depois surgiu a CMTC fazendo uma linha Edu Chaves – Tucuruvi, tinha oficialmente quatro ônibus mas o povo jura que nunca viu mais do que dois. Quando chovia as enxurradas levavam a ponte, sendo que o ônibus passava as tábuas voavam, os passageiros desciam do ônibus e ajudavam a rebocá-lo para que o outro pudesse passar.
Os ônibus eram bastante pesados e o terreno por ser de pouca consistência ocasionava sempre a abertura de enormes buracos em sei itinerário. Devido aos buracos do ônibus voltava antes de seu ponto final, obrigando o povo a andar a pé. Para que isso não acontecesse, os moradores iam de pá e enxadas para tapar os buracos maiores.
Depois a CMTC estabeleceu uma linha; Anhangabaú – Edu Chaves, com seis carros, mas que também não passaram de dois. Com a saída da CMTC da linha, a mesma foi substituída pela empresa Brasil – Lusa, que tem serviu os moradores durante um bom tempo.


S.A.P.E.C.

Em 11 de agosto de 1956, os moradores do bairro, reuniram-se para fundar uma sociedade, para preencher a lacuna deixada pela Comissão de melhoramentos. Naquele dia reuniram-se os seguintes moradores: Rafael Petraciolli, Francisco Domingos Azanha, Francisco Celestino, Silvio de Almeida, José Monteiro Sobrinho, Dagmar dos Santos Vaz, Aladim Bento Lauro, Takayasi Nagano, Moacir Pereira de Barros, Cláudio Gomes, Octavio Palanch, Gorvaslo de Sousa Alves, Heitor Iglesias Cambauva, Arlindo de Sousa Picolli, José Ferreira da Silva e Manoel Rosa.
Hoje, a sociedade, situada na Av, Jorge Newbary, 9, em sede própria, reuni seus sócios, proporcionando aos mesmos, campo de bocha, jogos de dominó, ping-pong e xadrez. A sociedade possui convênio com mais de 20 estabelecimentos comerciais e profissionais liberais, com desconto de 50% para os sócios, entre os convênios podemos destacar: Laboratório de Análise, Advogados, médicos ortopédicos, oculista, especialista em ouvidos e garganta, dentes, etc.
A Sociedade Amigos do Parque Edu Chaves, esta presente procurando solucionar os problemas do bairro. Com sua atuação conseguiram transformar o bairro, num lugar privilegiado e estritamente residencial.

IGREJA NOSSA SENHORA DE APARECIDA

A paróquia foi fundada em 1967, quando da demolição da Igreja Santo Genaro localizada na Av. 23 de Maio. Houve permuta de quatro áreas da periferia sendo uma delas parte da praça Comandante Eduardo de Oliveira, num total de 1600 metros quadrados em forma de meia lua. Ali foi erguida uma capela, sendo a intenção do pároco Padre Nicolai Martinowsky, torná-la igreja, a fim de poder melhor acomodar os fiéis, que compareciam em grande número as missas, as quais eram celebradas quatro vezes por semana. Contudo a Sociedade Amigos do Parque Edu Chaves (SAPEC) se opôs a construção no local, alegando que era a única área verde existente no bairro e que pretendia arborizar e jardinar, ressaltando que sob o terreno existiam galerias fluviais e que podiam danificar em função da construção. Coube a população lutar pelo local, em vista de vários abaixo-assinados foram feitos e levados ás autoridades municipais, que acabou sendo construída na praça.



•Material identificado como pertencente á Biblioteca Infanto Juvenil Jose Mauro Vasconcelos – Pça. Cte. Eduardo de Oliveira, 100 – CEP: 02233-060 – São Paulo/SP / Telefone: (011) 2242-8196.
•Arquivo Associação Museu Memória do Jaçanã
•Presidente: Senhor Silvio Bittencourt
•Transcrito por: Fernando Araújo Konesuk

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