sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A São Paulo de Adoniran era muito mais linda...

Justa homenagem. A Globo mostrou um homem que jamais deixará São Paulo ser esquecida, através de um programa de aniversário de nascimento do poeta. A São Paulo de Adoniran era romântica e bela. Era Diva e Musa inspiradora. Eternizava-se através de Adoniran, do Paulo Vanzolin à Noite Ilustrada. O mundo conheceu o meu Jaçanã, o seu Arnesto do Brás, o Joca. Aprendeu que através de uma maloca, quanta poesia sairia. Havia espaço e romantismo para que se criasse Ronda, mesclando amor e boemia daquela São Paulo inocente.
Era a história dessa cidade tão linda declamada em versos, na linguagem popular ítalo-paulistana, dando espaço ao "fumos", "adispois", "encontremo" e por ai afora. Era de propósito e canal de ligação para o Paulistano da época conhecer o coração repassado em canção, do poeta, para uma cidade dos italianos, espanhóis, judeus, enfim dos brasileiros e de todos que vieram para cá admirar e viver junto a uma sociedade então humilde, mas requintada.
A cidade realmente era linda, pujante. Um resquício de Europa ainda pairava nos ternos, nas gravatas borboletas, que acompanhou Adoniran como sua farda.
Era época da malandragem malemolente de um Quinzinho, da Boemia do próprio Adoniran. Vivia-se ainda a pura paixão dos balcões dos velhos sobradões. Os campos de várzea, os cinemas espalhados por toda a cidade.
Havia o bonde, os velhos Chevrolet. A beleza discreta!
A beleza do respeito, pois todos chamavam os idosos de Senhor, de Senhora.
São Paulo do Adoniran respirava emoção. Tinha vida a São Paulo do Adoniram. 
É Adoniran, que bom que ainda vi a cidade da forma como era em seu tempo.
Sabe Adoniran, hoje tenho 54 anos e ainda estou preso àquela cidade da sua época que ainda imperava na minha infância. Quando lembro, sinto saudade do meu pai, da primeira professora e do próprio trenzinho da Cantareira, o qual, por morarmos no Jaçanã, era uma das formas de acessarmos o centro da metrópole.
O progresso que se avizinhava  lá atrás talvez tenha sido o motivo da sua melancolia, e com certeza hoje é a melancolia da grande maioria. 
Saudosismo? Não! Apenas a lembrança tão boa que tenho do passado, que caso me fosse possível optar, não o trocaria por nada. É hoje sentir em suas músicas o meu reporte às doces imagens que habitam na lembrança e que me acompanharão até a minha passagem.





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