terça-feira, 9 de outubro de 2012

PCC - Ataque de Santos já era sabido


Polícia revela que denúncia anônima 'avisou' sobre morte de sargento

Eduardo Velozo Fuccia
O fuzilamento do sargento Marcelo Fukuhara, no início da madrugada de domingo, na Ponta da Praia, em Santos, não pode ser apontado como algo inesperado. E fez aumentar ainda mais entre os policiais o clima de medo e tensão diante de informações de uma lista de outros PMs marcados para morrer. 


Denúncia anônima no sábado à tarde à Polícia Militar já dava conta de que criminosos do Primeiro Comando da Capital (PCC), motivados por uma significativa recompensa em dinheiro, haviam descido a Serra para fazer (eliminar) um membro da corporação em Santos, cujo nome não foi especificado. Para checar a informação e adotar as medidas preventivas ao suposto ataque, policiais militares realizaram patrulhamento no Morro da Penha. 

Nesse local, estariam reunidos os integrantes da facção criminosa para acertar os últimos detalhes da emboscada e, lá, os PMs se depararam com o marginal apelidado por Nhenheco pilotando uma moto. Um sargento e um soldado reconheceram o suspeito e tentaram interceptar com a viatura a moto que ele pilotava. Nhenheco, porém, atirou mais de cinco vezes na direção dos patrulheiros e fugiu correndo em direção a um matagal, na Rua Quatro, abandonando uma Honda CB 300R amarela. 

Os policiais escaparam ilesos e não revidaram os tiros, porque logo perderam de vista o acusado. Na sequência, apuraram que a moto pertence à cunhada de Nhenheco, que o acusou de tê-la furtado de sua casa. Na Central de Polícia Judiciária (CPJ) foi registrado boletim de ocorrência, contra Nhenheco, por furto e tentativa de homicídio.


Créditos: Bruno Miani
Sargento Marcelo Fukuhara foi morto no último sábado em frente ao buffet de sua mulher, na Ponta da Praia

Precisão cirúrgica

Outras informações que também chegaram de forma anônima à PM garantem que há mais cinco policiais marcados para morrer. A diferença é que os nomes foram mencionados. Os novos potenciais alvos, a exemplo de Fukuhara, são do 6º BPM/I e apontados por colegas como policiais “linha de frente”. 

Um policial da Força Tática de Santos conversou com A Tribuna e manifestou a tensão e o medo generalizados da tropa. Ele também se queixou da “falta de respaldo do comando” e reconheceu o poder de fogo demonstrado pelo PCC.“Ele age com precisão cirúrgica, definindo antes o alvo para abatê-lo no horário de folga”. 

Segundo o patrulheiro, a maior preocupação do comando é “segurar a tropa” para evitar possíveis ações justiceiras, popularmente conhecidas como ataques ninjas. “A cúpula não quer aumentar na população a sensação de insegurança e de uma guerra entre o PCC e os órgãos de segurança”. O policial ainda revelou que todas as equipes de Força Tática da Baixada Santista foram escaladas para trabalhar até o dia 15, sem folgas, 12 horas diariamente. 

Ex-oficial da PM e procurador de justiça, o secretário de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, esteve domingo à tarde em Santos. Ele veio acompanhado do comandante geral da PM, coronel Roberval Ferreira França, e ambos se reuniram com o comandante da corporação na região, coronel Marcelo Prado. O encontro foi no quartel do Comando de Policiamento do Interior/6 (CPI/6), na Ponta da Praia, e dele também participaram comandantes dos batalhões da região. 

Ninguém da Polícia Civil, cuja atribuição constitucional é investigar crimes, apurando as suas circunstâncias e autoria, foi convidado a acompanhar a reunião. A Tribuna quis entrevistar o coronel Prado para abordar as declarações do membro da Força Tática do 6º BPM/I. Porém, em nota, o Setor de Comunicação Social da corporação informou que não está autorizada entrevista do comandante do CPI/6 e divulgou um comunicado institucional à Imprensa.

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