sábado, 3 de novembro de 2012

Minha mãe não me quis

Minha mãe deveria ser como toda mãe: linda, preocupada comigo e com meu futuro. Mas poderia ser mais exigente, com as preocupações que só as mães podem ter. Talvez focada na minha moral, nos meus costumes.
Toda mãe tem esse espírito, pois é impossível uma mãe não amar a sua própria criação.
Assim como qualquer animal, a fêmea morre por defender seus filhos.
Filhos não conseguem dimensionar esse amor, que desde a criação da vida, vem implícito no ato de ser mãe.
Imaginei-me na rua brincando com outras crianças e minha mãe de longe a me vigiar.
Também me vi na escola com ela me acompanhando e se interessando pelo meu progresso. Sabe, quando as mães se interessam por suas crias, muito cedo elas se preparam para o mundo.
Até um simples espirro faz de uma mãe preocupada.
Vi lá longe minhas roupas humildes mas extremamente limpas.
Pensava sempre sobre as emoções boas que eu poderia dar-lhe em troca. Meu comprometimento como filho, minha dedicação na escola e com as pessoas, meu futuro que também seria dela. 
Sabe, mãe é única e mesmo se um dia eu estivesse longe, estaria em espírito com ela.
Filho sem mesmo que saiba, tem ligação divina com a mãe.
É algo tão misterioso como a própria criação.
Sonhei muito com toda a oportunidade que teria, com a minha mãe e com a nossa vida.
Sonhei com carinho, com amor e dedicação.
Sonhei em ser alguém.
Sonhei em ter a oportunidade que todos nós merecemos ter, uma vida!
Minha mãe contrariando tudo isto, não me quis. 
Aos três meses da minha gestação ela me abortou!
Mesmo sem conhecê-la, não a culpo.
Apenas queria de alguma forma, nem que fosse por alguns segundos, olha-la, sentir o seu cheiro e saber que um dia tive uma Mãe.

Roberto Vaz

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