sábado, 5 de julho de 2014

Antigamente eram só os alcoólatras, hoje além deles, os dependentes químicos.

De alcoólatra conheço bem; sou um deles.
Entendam bem, hoje sou um alcoólatra em tratamento, ou melhor, estou sem beber há alguns anos e tenho consciência da minha doença e esse tratamento é permanente, até a minha morte. Antigamente eu era bêbado, o status alcoólatra é para o portador da doença e que tem tratamento constante, que vive em sobriedade através da abstinência. 
As agonias do álcool, são terríveis e desoladoras.
Fui também por um tempo, viciado em maconha.
Na minha geração, muitos foram abraçados pelo alcoolismo, alguns continuam sem problemas maiores, outros, como eu, desistiram depois de quase perderem tudo.
Tubetes que recolhi em uma pracinha aqui em São Paulo,
Pois bem, há alguns anos participo e trabalho em salas de recuperação e notadamente, alcoólatra é coisa do passado, em extinção. Hoje o dependente químico é a maioria.
O álcool é realmente o primeiro passo em rumo das viagens sem fim, ou a porta de entrada.
Muitos jovens têm procurado espontaneamente ajuda, mas tenho visto que a alma jovem reluta em admitir que o vício é uma doença, e que eles são portadores da doença.
No primeiro passo para começar um processo de abstinência e tratamento psíquico para se manter fora das agruras do vício, a admissão de impotência diante do vício é o principal.   
Muitos deles, infelizmente, só admitem após traumáticas internações e desmoronamento pessoal.
Há viciados em todas as faixas etárias, infelizmente.
Todos com grau elevado de compreensão e de cultura. A inteligência genérica é o que mais vemos nos dependentes.
De alguns anos para cá, foram vários jovens que abandonaram o desesperador desejo, que trabalham em causa comum de recuperação e se mantém livres, limpos e sob tratamento.
Também presenciei várias recaídas, com danos incomensuráveis, em alguns casos com a inevitável morte.
As mortes ocorrem pela degradação ou mesmo, por homicídio devido a dívidas e pela convivência com pessoas violentas do submundo do vício.
Aumenta dia a dia os usuários, paralelamente a destruição de lares.
Há sim a possibilidade de recuperação, pois tenho amigos que foram viciados em drogas pesadíssimas, como o craque e a heroína.
A cocaína popularizada talvez seja uma droga mais consumida que a própria maconha, e também é a droga de maior procura pelos jovens.
Estive nesta semana em uma pracinha próxima a minha casa, passeando com a minha netinha, em menos de 5 minutos, recolhi do chão, próximos a balanços e gangorras, 7 tubetes de cocaína, 2 inaladores, apenas para poder fazer uma foto... deixei vários outros jogados pelo chão.
É terrível, mas é a realidade atual.
Sem  pieguices, atuamos fortemente no auxílio daqueles que desejam deixar o vício de lado, com a experiencia que temos e pela facilidade de entendimento, de saber conversar e sentir toda a agonia que a doença tem a oferecer ao doente.
Quem for de São Paulo e quiser saber mais, mande-me um email, que eu terei o prazer de recomendar ótimos grupos na cidade.
Meu sonho um dia era poder ficar longe da bebida, consegui. Hoje tenho um sonho de poder ajudar aqueles que como eu no passado, clamavam por ajuda.
Fiquem expertos com amigos, filhos, colegas e quaisquer pessoas do seu convívio, que aparente desolação, prostração, euforia, etc... ajude-os, pois podem estar neste terrível caminho.

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